Sunday, December 31, 2006

2007 é um ano comum do calendário gregoriano iniciando em uma segunda-feira. 2007 será celebrado como o Ano Internacional dos Pólos e como o Ano Internacional da Heliofísica.

"Viver um romance instantâneo deve ser legal, deve fazer bem para o ego, mas, é como a comida do microondas, fica cozida rapidamente, mas nem se compara ao velho forno do fogão."
créditos ao desconhecido.

Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: "as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos"

As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.Uma flor nasceu na rua!Vomitar esse tédio sobre a cidade. (...) Todos os homens voltam para casa.Estão menos livres mas levam jornais.E soletram o mundo, sabendo que o perdem. (...) Façam completo silêncio, paralisem os negócios,Garanto que uma flor nasceu.Sua cor não se percebe.Suas pétalas não se abrem.Seu nome não está nos livros.É feia. Mas é realmente uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.
(A flor e a náusea - Carlos D.)



Pouco daqui é meu, não tenho o dom da escrita, sequer algum dom. Quiçá tenha algum oculto, limitado à perturbação moral do receio do ridículo. Expresso-me com palavras dispostas e ordenadas por outrem. E isso é apenas pra mim, então tchau.

Saturday, December 30, 2006

Cântigo Negro

“Vem por aqui” — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: “vem por aqui!”
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali…
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos…
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: “vem por aqui!”?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí…
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?…
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos…

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios…
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios…
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: “vem por aqui”!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou…
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

José Régio

Thursday, December 28, 2006

E quando a pessoa fica desocupada...


"Como Camila ama?

Camila, ao nascer, tinha o planeta Vênus no signo de Touro. Este posicionamento sugere uma pessoa que busca a estabilidade, acima de tudo. Sensual, com muito afeto para dar, Camila aprecia as boas coisas que a vida tem a oferecer: bom sexo, boa comida, conforto. E precisa, acima de tudo, da presença física do ser amado ao seu lado. Conversa demais não funciona: para Camila, o relacionamento precisa ter definições práticas.

-Vantagem: você se encontra diante de uma pessoa que é provavelmente um dos melhores amantes que se poderia encontrar. Vênus em Touro não é apenas muito bom de cama, como também sabe valorizar um relacionamento.
-Desvantagem: surtos de preguiça e comodismo podem lhe fazer perder a paciência. Nem sempre Camila se encontra na situação que mais aprecia, mas é capaz de manter-se nela por pura preguiça de mudar...
-Como lidar: boa comida e boa cama. Tendo isso, a pessoa de Vênus em Touro ficará apaixonada!
-Possíveis presentes ideais: jantares suntuosos, lingerie, uma conta-poupança surpresa, plantas, roupa de cama sofisticada e confortável.
-O pior que você poderia fazer: demonstrar ser instável, inconstante, uma pessoa indefinida. Camila, com Vênus em Touro, partirá para outra bem rapidinho..."
personare.com.br

Tuesday, December 26, 2006

E fitei a barata por alguns poucos minutos.
Igualei-me a ela e me senti melhor.
Na minha frente uma rua extensa e vazia; pude contar minhas lamúrias pro segurança dela.
Umas pessoas esquisitas surgem.
A sensação de se estar invisível nunca me fez tão bem.
A barata continua comigo, e imóvel, porém viva.
Eu a prefiro, e ela não tem preferências.
Sinto picadas e continuo melhor aqui do que lá.
Eu noto muito mais a singela beleza dos prédios e das luzes que piscam freneticamente, afinal é natal.
Uma sub inexistência que me abraça.
Estão me ligando de lá e eu simplesmente ignoro.
Coitada de minha mãe, que nada tem a ver com isso.
Meu amigo-segurança-da-rua-extensa-e-vazia se aproxima.
Ah não. É outro, não o amigo.
A barata virou-se pra mim.
Primeira sensação de notabilidade do momento.
E então eu digo: “oi barata-que-me-olha”
Muito amiga.
Tenho medo do outro guarda, não o amigo, com uma garrafa de coca-cola vazia.
Tá coçando ficar aqui.
Ainda sim é melhor e tenho uma barata que não se cansa de me olhar.
Os papéis se inverteram.
Talvez eu tenha me tornado a barata e nem percebi.
E ela fica a me fitar enquanto a garrafa de coca-cola vazia se aproxima novamente.
Não me sinto mais irritada, mas coça.
Uma moto. Um homem numa moto e outro na calçada, e um diálogo breve.
E um chamado, e o barulho do ônibus e foi. A buzina.
Ah, a minha mãe.
Vejo as pessoas e elas não me vêem.
Estou fora de cena, e agora, isso me conforta.
A barata-que-me-olha está fora da cena igualmente.
Um cão surge com seu dono, passam pela minha frente e me notam.
Não a barata; mas a barata os nota, e amedrontada foge.
Já não me olha mais, pequena barata, e saiu do meu campo visual.
Pobre mãe, pobre esposa.
Realmente este outro guarda não me agrada.Vigilância.
Acho que vou voltar pra casa. Não que aqui nesse degrau de escada do fim ou começo da rua extensa e vazia (depende do referencial) esteja menos confortável que lá.
Até porque a barata voltou e me faz companhia novamente.
Mas eu tenho uma mãe-preocupada ali à frente, nessa mesma rua extensa e vazia.


por Camila Bianco, ela mesma.

Friday, December 15, 2006

Estou no espaço entre a louca e a insegura.

Thursday, December 14, 2006

Em um piano distante, alguém estuda uma lição lenta, em notas graves. (...) Esses sons soltos, indecisos, teimosos e tristes, de uma lição elementar qualquer, têm uma grave monotonia. Deus sabe por que acordei hoje com tendência a filosofia de bairro; mas agora me ocorre que a vida de muita gente parece um pouco essa lição de piano. Nunca chega a formar a linha de uma certa melodia. Começa a esboçar, com os pontos soltos de alguns sons, a curva de uma frase musical; mas logo se detém, e volta, e se perde numa incoerência monótona. Não tem ritmo nem cadência sensíveis.

(Rubem Braga, O Homem Rouco.)

Saturday, December 02, 2006

Vivendo no Cemitério dos Vivos, costumo temer do medo; Contando mentira, ficando magoada, amando e odiando... Acreditando em mentira, causando mágoas, amores e ódios. Um dia passeava de mãos dadas e pernas roçadas, e eram as pessoas que me estendiam a mão e me acolhiam com doces palavras, noutro, fui estuprada pelos mesmos. Quantas noites que custei a me manter acordada e outras tantas quis remédio para dormir. Como qualquer pessoa diz, acredito na mudança contínua de quaisquer ser, mas a caminho do desenvolvimento interno, não alguma regressão.
Ah, da moita costumo ter um campo visual mais abrangente; Mentira. Não encontro nenhum enigma para pessoas que querem revolucionar tudo, mesmo continuando acomodadas no aconchego de seus sofás brancos, porém respeito quem consegue observar a realidade ao redor e fingir que está tudo bem.
Eu? Sou feita de “as vezes”... Às vezes que sou: desastrada, atrapalhada, estranha, odeio que me subestimem (apesar de eu ser a maior autora de tal), acredito e desacredito, odeio omissão e covardia, imprevisível, estúpida, impulsiva, dramática, gulosa, simpática, ridícula, aberração, pentelha, preocupada, lunática, tento constantemente sem obter tanto sucesso não me orgulhar tanto de mim, nem me criticar tanto, odeio ironia, superficialidade e sarcasmo, apesar de muitas vezes sair para beber com elas e as trazerem para repousar em casa.
Em minha concepção, a intensidade de um momento é muito mais importante do que o tempo que ele dura. Eu também amo minha família e minha cadela. E amo meus amigos e “alguéns”. O encanto é a pior doença e o tempo, o melhor remédio. Olá, então...Poderia me dar um genérico deste remédio?
Amor, meu grande amor... Sempre. Amor é eterno!Você acaba se tornando responsável por aquilo que cativas, quiçá; segundo Pequeno Príncipe, grande amigo. Aquele que alucino ter diante do espelho, pode não ser aquele que vês diante de ti... é, e eu acho que muitas vezes não é realmente. Eu não quero que você saiba muito sobre mim, por que eu sei que você vai tirar vantagem das palavras que eu digo. Você está procurando um jeito de me deprimir, me fazer pagar. Você não quer que eu esteja muito perto de você, porque eu poderia ver, todos os pontos fracos que você têm e os quais você está tentando esconder.
Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram, Álvaro de Campos me disse naquela tarde, e eu tomei para mim. Por isso quando pareço não concordar comigo, Reparem bem para mim: Se estava virado para a direita, Voltei-me agora para a esquerda, Mas sou sempre eu, assente sobre os mesmos pés, completou Alberto Caeiro, numa longa conversa, naquela mesma tarde na fazenda, ou numa casinha de sapê.

__Outubro/2006; restrito aos que tem paciência e algum interesse.

(por: Camila Bianco, a Nonada;)



*Eu, filho do carbono e do amoníaco, Monstro de escuridão e rutilância, Sofro, desde a epigênesis da infância, A influência má dos signos do zodíaco. Profundissimamente hipocondríaco, Este ambiente me causa repugnância... Sobe-me a boca uma ânsia análoga à ânsia Que se escapa da boca de um cardíaco. Já o verme - este operário das ruínas - Que o sangue podre das carnificinas Come, e à vida em geral declara guerra. Anda a espreitar meus olhos para roê-los, E há-de deixar-me apenas os cabelos, na frialdade inorgânica da terra! (Psicologia de um vencido - Augusto dos Anjos)

*Todos os fracos juntos são mais fracos, fadados à confortável derrota coletiva, todos os fracos são opacos, conformados na inevitável tristeza cativa. Todos os fracos com a chance de perder por pouco, acenando pro futuro que não veio, todos os fracos num lance de sofrer feito louco, andando no escuro com receio, todos os fracos pedem proteção, o desejo secreto de estar completo quanto possível, todos os fracos perdem a direção,e o segredo repleto de sonhos frustrados pelo incrível, Todos os fracos desistiram reprimidos pelo medo de não ser, entregando os pontos onde os tontos são tantos, todos os fracos tomaram comprimidos tentaram esquecer, duvidando dos santos quando os prantos são tantos

*Cuspiu no prato que raspou, Duvidou que um dia fosse mudar de idéia, Não preparou, se mandou, evaporou, Espatifou o prato na parede, E eu catando os cacos pra tentar colar depois_E se pudesse levava até a saudade, mas deixou...Impregnada em cada fração de mim!
_créditos ao Jay Vaquer, aquele que não é meu ídolo.