E fitei a barata por alguns poucos minutos.
Igualei-me a ela e me senti melhor.
Na minha frente uma rua extensa e vazia; pude contar minhas lamúrias pro segurança dela.
Umas pessoas esquisitas surgem.
A sensação de se estar invisível nunca me fez tão bem.
A barata continua comigo, e imóvel, porém viva.
Eu a prefiro, e ela não tem preferências.
Sinto picadas e continuo melhor aqui do que lá.
Eu noto muito mais a singela beleza dos prédios e das luzes que piscam freneticamente, afinal é natal.
Uma sub inexistência que me abraça.
Estão me ligando de lá e eu simplesmente ignoro.
Coitada de minha mãe, que nada tem a ver com isso.
Meu amigo-segurança-da-rua-extensa-e-vazia se aproxima.
Ah não. É outro, não o amigo.
A barata virou-se pra mim.
Primeira sensação de notabilidade do momento.
E então eu digo: “oi barata-que-me-olha”
Muito amiga.
Tenho medo do outro guarda, não o amigo, com uma garrafa de coca-cola vazia.
Tá coçando ficar aqui.
Ainda sim é melhor e tenho uma barata que não se cansa de me olhar.
Os papéis se inverteram.
Talvez eu tenha me tornado a barata e nem percebi.
E ela fica a me fitar enquanto a garrafa de coca-cola vazia se aproxima novamente.
Não me sinto mais irritada, mas coça.
Uma moto. Um homem numa moto e outro na calçada, e um diálogo breve.
E um chamado, e o barulho do ônibus e foi. A buzina.
Ah, a minha mãe.
Vejo as pessoas e elas não me vêem.
Estou fora de cena, e agora, isso me conforta.
A barata-que-me-olha está fora da cena igualmente.
Um cão surge com seu dono, passam pela minha frente e me notam.
Não a barata; mas a barata os nota, e amedrontada foge.
Já não me olha mais, pequena barata, e saiu do meu campo visual.
Pobre mãe, pobre esposa.
Realmente este outro guarda não me agrada.Vigilância.
Acho que vou voltar pra casa. Não que aqui nesse degrau de escada do fim ou começo da rua extensa e vazia (depende do referencial) esteja menos confortável que lá.
Até porque a barata voltou e me faz companhia novamente.
Mas eu tenho uma mãe-preocupada ali à frente, nessa mesma rua extensa e vazia.
por Camila Bianco, ela mesma.
Igualei-me a ela e me senti melhor.
Na minha frente uma rua extensa e vazia; pude contar minhas lamúrias pro segurança dela.
Umas pessoas esquisitas surgem.
A sensação de se estar invisível nunca me fez tão bem.
A barata continua comigo, e imóvel, porém viva.
Eu a prefiro, e ela não tem preferências.
Sinto picadas e continuo melhor aqui do que lá.
Eu noto muito mais a singela beleza dos prédios e das luzes que piscam freneticamente, afinal é natal.
Uma sub inexistência que me abraça.
Estão me ligando de lá e eu simplesmente ignoro.
Coitada de minha mãe, que nada tem a ver com isso.
Meu amigo-segurança-da-rua-extensa-e-vazia se aproxima.
Ah não. É outro, não o amigo.
A barata virou-se pra mim.
Primeira sensação de notabilidade do momento.
E então eu digo: “oi barata-que-me-olha”
Muito amiga.
Tenho medo do outro guarda, não o amigo, com uma garrafa de coca-cola vazia.
Tá coçando ficar aqui.
Ainda sim é melhor e tenho uma barata que não se cansa de me olhar.
Os papéis se inverteram.
Talvez eu tenha me tornado a barata e nem percebi.
E ela fica a me fitar enquanto a garrafa de coca-cola vazia se aproxima novamente.
Não me sinto mais irritada, mas coça.
Uma moto. Um homem numa moto e outro na calçada, e um diálogo breve.
E um chamado, e o barulho do ônibus e foi. A buzina.
Ah, a minha mãe.
Vejo as pessoas e elas não me vêem.
Estou fora de cena, e agora, isso me conforta.
A barata-que-me-olha está fora da cena igualmente.
Um cão surge com seu dono, passam pela minha frente e me notam.
Não a barata; mas a barata os nota, e amedrontada foge.
Já não me olha mais, pequena barata, e saiu do meu campo visual.
Pobre mãe, pobre esposa.
Realmente este outro guarda não me agrada.Vigilância.
Acho que vou voltar pra casa. Não que aqui nesse degrau de escada do fim ou começo da rua extensa e vazia (depende do referencial) esteja menos confortável que lá.
Até porque a barata voltou e me faz companhia novamente.
Mas eu tenho uma mãe-preocupada ali à frente, nessa mesma rua extensa e vazia.
por Camila Bianco, ela mesma.


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