Sunday, April 22, 2012

Sou daquelas pessoas vazias que fazem eco em si mesmas, repetindo sempre as mesmas coisas, mas incapaz de ouvir e de ver uma vez sequer. Por isso é impossível progredir. Por isso me dói a dor do outro, a dor do mundo, porque não sei qual(is) é(são) a(s) minha(s).

Tuesday, January 24, 2012

Faz muito tempo que não escrevo, como sempre...
A todo e a cada dia a vida e seus percalços me surpreendem...
É incrível como racionalmente tendemos a não acreditar na aproximação dos extremos, porém cada vez mais noto como eles sempre estão andando juntos, de mãos dadas, mas sem risco de se fundir, porque cada um sabe o que é.
Olho para as pessoas e para mim mesma... me reconheço um pouquinho em cada um. Parece besteira, banalidade, mas amo as pessoas ao mesmo tempo que as odeio. Sinto um grande amor quando vejo cada um em seu caminho, sem muita certeza de nada, pegando ônibus, andando pelas calçadas, solitários em seus carros e em seus mundos, com seus pertences que acreditam que lhes dizem tanto respeito quanto o que realmente são essencialmente.
Tenho carinho pelo modo como as pessoas movem suas mãos para pegar seus RGs, seu óculos, ou qualquer outra coisa. Elas pegam esses pertences com tanto apego e sensação de pertencimento... objetos, coisas que dizem um pouco sobre alguém.
E vejo a humildade... a humildade na submissão à situação suprema do viver e aqui estar. O olhar das pessoas frente às outras... tudo me toca profundamente.
E só me toca porque me sinto tão a par disso tudo... tão a par. Não consigo imaginar que alguém possa me olhar como olho os outros. Não sinto que sou especial, nem importante, nem nada... quase nem humana, como se não fosse digna de merecimento de cousa alguma.
Prefiro viver a vida dos outros com meu olhar, de fora. O olhar que tenho a mim mesma quando sonho. O olhar da Kika que me dizia infinitas vezes mais do que todas as palavras possíveis e imagináveis.
É a sensação que habita em mim que me surpreende, move tudo na minha frente e, enfim, tudo parece belo por alguns instantes... até alguém me mostrar, sem dó nem piedade, a dura 'realidade' da crueldade que vive em nós... que vive de nós...
De todo modo, em cada gesto minúsculo eu vejo um carinho, um momento, um segundo de infinitos e milhares, que merece ser apreciado... então aprecio... em silêncio. Porque assim sou. O barulho que faço aos outros é somente reflexo da bagunça desordenada do meu silêncio escuro, extremamente escuro. Porque meu silêncio também é sensação, e somente sensação... despensa todos os demais sentidos...
Mesmo nas situações mais repugnantes e de dor, acho beleza... no fundo, no fundo, no fundo... acho beleza...
Encontro beleza na saudade do que já foi e parece já não mais ser, mas que continua existindo enquanto eu existir... mas devo confessar que não sou tão otimista quanto esse texto possa parecer... tenho tendências extremas a olhar tudo como quem já sabe do fatídico fim e pode até ser que vez ou outra me sabote pra que ele de fato aconteça, como alguém que precisa provar pra si mesmo que em alguma vez esteve certo na vida... e me decepciono. Sempre me decepciono. Com o outro, comigo e com o outro em mim que não consegue nunca ganhar a voz que possivelmente merece. Este outro em mim me decepciona por não conseguir ser mais forte do que eu e de me mostrar minha verdadeira face.
Mas tudo bem, porque isso é percurso de toda uma vida, seja lá o que signifique... afinal, cada um vive tempos diferentes, tanto cronos quanto kairós...
Não tenho um fim pro texto, porque não tenho um fim em si... não sei o que concluir e nem como remeter o leitor imaginário àquilo que se diz por "fim"... porque é inconclusivo, interminável, infinito... e espero que a vida tenha criatividade o suficiente pra me surpreender com inovações, mesmo que nos detalhes, de histórias que possivelmente vão se repetir sempre... pra mim e pro próximo...

Wednesday, December 22, 2010

Desprezo!

Porque me fizestes sólido
A ponto de me quebrar?
Porque não me fizestes líquido para saboreares?
Ou mesmo gasoso para que te exalasse perfumes?
Porque?
Onde me esqueci que eras escrava de tanta maldade?
Porque de nuvens fizestes somente raios e vendavais?
Desnuda da tua voraz inocência,
Diverte em quebrar sonhos, desejos e purezas.
Mas a cada lágrima que fizestes derramar,
A cada coração ferido,
Há de se transformar os três estados em apenas um!
A tua solidão!

Jaak Bosmans

Thursday, December 09, 2010

não tenho mais amores, nem dores, nem nada.
é tudo uma mentira da mentira da mentira da mentira.
espero encontrar algo nesse meio.
ou talvez eu já não espere nada de fato.
talvez eu espero esperar.
não acabou o amor.
acabou a capacidade de amar.
não seria isso ainda mais triste?

- texto escrito por mim em meados de novembro/2010.

Wednesday, October 13, 2010

é insuportável continuar amando profundamente uma pessoa e não conseguir ficar perto dela, conversar, conviver... a não ser por frações de segundos ou, no máximo, minutos...
perceber que ela tem uma raiva iminente que surge a cada palavra que profere... uma raiva não se sabe do que... da pessoa que fala, do que é falado, de tudo.
e que reprova o que é feito ou o que é deixado de ser feito... o que se é.
continuar sofrendo pela dor não acolhida, pelo carinho não dado, pela preocupação não explicitada como se esperava que fosse, pela falta de atenção, pela falta.
saber que só dá pra continuar amando se for de longe... de longe.

me dói
me dói
dói
dói me sentir como alguém que já não sou e não quero mais ser.
dói ser tratada como se nada mudasse, como se nada tivesse mudado.
dói me sentir desmerecedora de qualquer tipo de importância, de interesse, de respeito, de admiração e de amor.

Monday, September 13, 2010

Let it die and get out of my mind

(Feist - Let it die)

Thursday, September 02, 2010

Me sinto assim, mais ou menos desse jeito, menos ou mais de outro que não sei.

"Como explicar?, que as coisas são simples, afinal, e que a dor não passa de um caminho de sentido obrigatório que não dá para atalhar, até um dia chegarmos a quem nos espera desde sempre?"

" Às vezes de noite quando finjo que sossego, amo-te. Também te amo em certos momentos do dia e chega a haver alturas em que te adoro, isso nos intervalos em que te esqueço."

"Eu não sou só eu: sou também isto, este excesso de bagagem que dá multa, os gritos que não ouves quando falo muito, quando falo demais, com o intuito nervoso de espantar o bando de corvos que me cerca e me enegrece em voos rasantes de agoiro. Tenho sempre medo a esta hora da madrugada: sinto-me fraca, na vazante, no soçobro, um fio de gente, um engano cósmico qualquer."

"Bloqueio-te a passagem, frustro-te a fuga e bombardeio-te com a evidência de estar para sempre no teu caminho, empecilhando-te o tédio e alterando inesperadamente a química do teu organismo. A princípio, fingirás que não me conheces, sim, que não me conheces, e eu rir-me-ei na tua cara porque ainda assim vais tentar fintar o destino (o que fazes sempre, excepto quando te perdes dentro de ti e me devoras inteira, cedendo à fome e ao instinto). Um dia destes, juro. Não imagino o que te direi, não cheguei a essa parte, pouco interessa aliás; não tens de me sustentar o olhar, de me cumprimentar ou retorquir, podes até fechar os olhos e fingir que não estou ali, remetendo-me para a lembrança que tens das fotografias."
umamoratrevido